
Mulher do Algodão aparece
em banheiros de colégio para aterrorizar os pirralhos
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Mulher do
algodão
Uma
das criaturas sobrenaturais que mais apavoraram o imaginário
infantil nas escolas foi, sem dúvida, a Mulher do Algodão.
Em muitos colégios da cidade a assombração
ainda é popular. Há diversas versões para seu
nome: Mulher de Algodão, Maria do Algodão, Loira do
Algodão, Mulher do Espelho (porque ela sempre aparece, primeiro,
pelo espelho), entre outros. No entanto, a personagem é a
mesma. Trata-se, basicamente, de uma defunta toda de branco, com
algodão enfiado nos olhos, nariz e ouvidos, que aparece em
banheiros de colégio para assustar os pirralhos.
Há
pelo menos duas versões para a origem da lenda. Dizem que
a moça era uma aluna apaixonada por um professor que não
dava bola pra ela. Desiludida, cometeu suicídio no banheiro
do colégio. Desde então, vem aparecendo para perguntar
pelo professor amado. Outros relatos afirmam que a estudante foi
esquartejada por um psicopata que, num ritual macabro, jogou seus
restos na privada.
Não
se sabe direito o que a Mulher do Algodão faz com as crianças
no banheiro (se é que uma defunta que aparece assim de repente
precisa fazer mais alguma coisa para assustar alguém
),
mas alguns relatos dizem que ela fura os olhos dos meninos, caso
eles não levem algodão para ela.
O
publicitário Lungas Neto afirma que, segundo a lenda, para
que a defunta apareça é necessário certo ritual.
Algumas versões falam em permanecer no banheiro e invocá-la
três vezes. "Mulher do algodão, mulher
do algodão, mulher do algodão." Outros dizem
que deve-se dar três descargas na privada. Mas os modos de
invocá-la também se alternam bastante.
Lungas
afirmou que, quando cursou o primário no colégio Corina
de Oliveira, ninguém conhecia a lenda. "Eu que levei
a história lá. Meu primo havia me contado. Espalhei
no colégio todo." Segundo ele, a lenda pegou entre os
colegas e todos passaram a morrer de medo de demorar muito no banheiro:
vai que a desgraçada aparece! Ironicamente, o que
dava mais veracidade à lenda da Mulher do Algodão
era que ninguém jamais havia visto, pois moleque nenhum tinha
coragem de dizer seu nome três vezes e ficar lá pra
conferir.
A
jornalista Celi Camargo afirmou que, em sua época de colégio
Tiradentes, em 1980, a lenda dizia que nem era preciso invocá-la:
a defunta aparecia, sem mais nem menos. Ela contou que, certa vez,
um colega que estava de braço quebrado arrancou o algodão
de baixo do gesso e espalhou tudo no banheiro. Aí, foi aquele
tumulto na escola. "O pânico existia mesmo! As meninas
choravam. Havia uma confusão entre verdade e ficção.
A diretora e os professores foram lá ver. Foi um alvoroço."
Celi tem uma hipótese para a popularidade da lenda da Mulher
do Algodão: "Talvez essa história tenha surgido
para limitar a permanência das crianças no banheiro.
É lá que os meninos se escondem para fumar pela primeira
vez, para ensaiar as primeiras experiências sexuais".
Para ela, uma assombração que aparece no banheiro
seria a "pessoa" mais conveniente para "vigiar"
os pirralhos mais atrevidos.
Magrelo,
da banda Os Kretinos, confirma as história da Mulher
"de" Algodão como fez questão de
frisar. Ele conta que, nos seus tempos de grupo Brasil, nos anos
80, a defunta metia tanto medo nas crianças que uma garota,
certa vez, chegou a fazer xixi nas calças por não
ter tido coragem de ir ao banheiro. "Meu amigo e eu gostávamos
de percorrer a sala engatinhando, para ver as calcinhas das meninas.
Aí, percebemos que, em uma das carteiras, estava pingando
uma água, ou sei lá o quê. Então, vimos
a menina curvada, tentando limpar uma poça de xixi com um
lencinho o melhor era o lencinho". Quando a garotinha
percebeu que era observada pelos voyeurs mirins, ela tapou
o rosto e levantou-se, primeiro choramingando, depois chorando convulsivamente.
E os dois capetas, evidentemente, passaram a cantar para a sala,
às gargalhadas: "Ela mijou na sala! Ela mijou na
sala!"
Desgraça
pelada
Na
quaresma, havia uma lenda de que, se a criança dissesse qualquer
palavrão, aparecia a "Desgraça Pelada".
Algumas versões mais pudicas dizem que ela aparecia atrás
da porta, com a mão protegendo as partes. "Eu
nunca soube o que era a Desgraça Pelada. Devia ser uma coisa
muito ruim", disse Celi Camargo.
Anjos
e demônios são personagens bastante presentes no imaginário
infantil. Apesar de um representar o bem e o outro o mal, ambos
assustavam igualmente os meninos. "Em casa éramos muito
religiosos. Na hora do almoço, diziam que ficava cheio de
anjos à mesa. E eu morrendo de medo de esbarrar num. Vai
que eu cutuco ele, e ele cai!". Para Celi, esse temor,
de certa forma, era benéfico, pois impunha disciplina nas
crianças. "Tudo de errado que uma criança poderia
fazer, eu não fiz, porque Deus castigava. Quando chovia,
diziam: tá vendo, como Deus tá bravo? Eu pensava:
"Que eu fiz para Ele ficar tão bravo assim?"

Tem gente
que garante ver um diabo devorando o garoto quando o quadro
é virado de lado ou de ponta à cabeça
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Existe
uma reprodução de um certo quadro, muito popular na
decoração de casas de classe média, que há
anos envolve uma aura sinistra e até hoje provoca apreensão
em muitas pessoas. Na verdade, tem gente que não gosta nem
de chegar perto. Trata-se de uma figura de um garoto chorando, vestindo
uma pesada manta escura. Dizem que, se o quadro for virado de cabeça
para baixo, ou mesmo tombado de lado, é possível enxergar
a verdadeira imagem que o pintor, num pacto com o demônio,
quis representar.
A
fotógrafa Neuza das Graças conheceu o quadro ainda
menina, nos anos 70, em uma visita a sua tia Mariinha. O quadro
ficava bem na entrada da sala. Era grande, colorido, e viera de
longe, contava a tia. A menina Neuza olhava intrigada: por que
o menino está chorando, se ele é tão bonitinho?
Então a tia contou o que sabia. "Dizem que o autor
era um pintor medíocre e mal sucedido. Ele procurava várias
maneiras para ser um pintor respeitado, mas em todas as tentativas
"do lado do bem", fracassava. Aí, resolveu procurar
o dito-cujo, que lhe propôs um pacto em troca da alma. Aceitando
o trato, o diabo, então, falou que era pra ele dormir, e
o que ele sonhasse deveria pintar na tela. E o que o pintor viu,
no sonho, foi justamente a criança sendo devorada pelo demônio".
É por isso que a criança chora no quadro, conclui
Neuza.
Maria
José Ferreira de Moura, moradora do bairro Olinda, guarda
uma reprodução desse quadro em casa. Ela disse que
não conhecia a história, até que seus filhos
comentaram com ela. Dona Maria afirma que nunca conseguiu ver nada
de diferente no quadro, mas, por via das dúvidas, dependurou-o
lá no quartinho dos fundos.
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