
Alaor
Ribeiro
"Palacete
caiu por descaso do presidente do Conselho"
Para
ex-conselheiro, convênio com órgãos estaduais
e federais poderia garantir verba (*)
Juliana
Borin

Fachada
do antigo cine Royal, na praça Comendador Quintino, foi
preservada. Hoje, no local, funciona uma pizzaria. Solução
de preservar só a fachada do palacete para a instalação
de seu negócio foi proposta a Idivaldo. Mas o proprietário
recusou a idéia. |
André
Azevedo da Fonseca
Por que a casa caiu? "Foi por causa da negligência
do presidente do conselho, que deu uma declaração de
que não havia recurso pra manutenção da casa,
quando na realidade existia", afirmou, em entrevista por telefone,
na manhã de 25 de abril, o advogado e ex-conselheiro do Codemphau,
Alaor Ribeiro.
Para
ele, esses recursos, poderiam ser buscados de forma alternativa,
através do Iepha, ou Iphan. Mas, para isso, teria que haver
o tombamento. "A própria Secretaria de Cultura de Minas
estava interessada em fazer um convênio com o município,
como já fez na cidade de Campanha, onde liberou mais de R$300
mil para recuperação de um museu. Mas isso tudo não
foi levado em consideração pelo presidente do conselho".
Segundo
Alaor, os conselheiros não foram consultados a respeito daquela
manifestação de José Thomaz. [quando, em um
requerimento, registrou que não detinha verba para o restauro,
e que estava ciente da posição da secretaria de obras
onde se denota a existência de riscos de desabamento] "Foi,
uma manifestação pessoal. Ele não levou em
consideração o tombamento, e deu uma declaração
aleatória, sem nos ouvir."
Foi
um erro o Codemphau deixar de levar em consideração
o interesse econômico do proprietário? Para Alaor,
"o interesse público prevalece sobre o particular."
Mas mesmo assim, segundo ele, não era preciso que Idivaldo
sofresse prejuízo. "Havia várias soluções.
Uma delas, a mais viável, era permitir que ele instalasse
no palacete o negócio que quisesse, mas mantendo a preservação
da fachada. Isso tudo foi proposto. O problema dele era a demolição
para transformar o terreno em estacionamento." Alaor disse
que cabia a Idivaldo, antes de adquirir o imóvel, certificar
no Codemphau se existia alguma proteção ou algum interesse
do poder público em tombar o imóvel.
Alaor
também lamenta o fato de o Conselho não ter participado
do mandado de segurança. "Nenhum juiz, se ouvisse o
conselho de patrimômio histórico, daria essa sentença.
Para jogar no chão uma construção centenária,
a coisa precisa de mais cautela."
O
ex-conselheiro disse que Idivaldo venceu o Codemphau pelo cansaço.
"Eu só não tive um infarto porque eu já
tive dois, e já estou acostumado com eles. Mas eu estive
pra enfartar. Eu trabalhei muito, acompanhei tudo, porque fui o
relator do processo. Foi uma luta insana do conselho, frustrada
por uma inconfidência do próprio presidente."
(*)
Devido à falta da espaço no jornal de 24 páginas,
essa entrevista não foi incluída na edição
impressa
Próximo
texto
Entrevista com Sonia Fontoura
Texto anterior
Entrevista com Marcondes Nunes
| página
principal |
|
 |
|
|