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Patrimônio
Mundial
Conferências
da Unesco são instrumentos de proteção
Recomendação
de Nairobi alerta sobre o perigo da uniformização
arquitetônica para a diversidade cultural
André
Azevedo

Construções
aleatórias descaracterizaram conjunto histórico
do "calçadão" da rua Arthur Machado |
André
Azevedo da Fonseca
Na 19ª Conferência da Unesco, realizada em Nairobi (Quênia)
no ano de 1976, foi discutida e aprovada uma carta de recomendações
sobre a importância e a função dos conjuntos
históricos na vida contemporânea. A Recomendação
de Nairobi é hoje um dos instrumentos adotados internacionalmente
para a proteção do patrimônio cultural.
O
documento registra que os conjuntos históricos "constituem
a presença viva do passado", e asseguram a variedade
necessária para responder à diversidade da sociedade.
Assim, adquirem um valor e uma dimensão humana que vão
muito além de seu mero valor imobiliário. A carta
diz que os conjuntos históricos são "os testemunhos
mais tangíveis da riqueza e da diversidade das criações
culturais, religiosas e sociais da humanidade". A sua salvaguarda
e integração na vida contemporânea devem ser
metas fundamentais do planejamento territorial.
A
recomendação de Nairobi assinala ainda a preocupação
perante os "perigos da uniformização e da despersonalização
que se manifestam constantemente em nossa época", pois
os conjuntos históricos são peças fundamentais
da identidade de cada ser humano e da nação em que
está inserido.
"No
mundo inteiro, sob pretexto de expansão ou de modernização,
destruições que ignoram o que destroem e reconstruções
irracionais e inadequadas ocasionam graves prejuízos a esse
patrimônio histórico", acusa, alertando que essa
destruição "provoca muitas vezes perturbações
sociais".
Considerando
que essa situação implica a responsabilidade de cada
cidadão, e impondo também aos poderes públicos
obrigações que "só eles podem assumir",
recomenda que os Estados devam adotar "urgentemente uma política
global e ativa de proteção e de revitalização
(
) como parte do planejamento nacional, regional ou local".
Conjuntos
históricos devem ser considerados como "patrimônio
universal insubstituível" e devem ser compreendidos
em sua globalidade, como um todo coerente, cujo equilíbrio
depende de todos os elementos que o compõem. Essa harmonia
deve ser respeitada. Devem ser também protegidos "contra
quaisquer deteriorações, parti-cularmente as que resultam
de uma utilização imprópria, de acréscimos
supérfluos e de transformações abusivas ou
desprovidas de sensibilidade que atentem contra sua autenticidade".
A
recomendação registra que, no ritmo da urbanização
moderna, com o aumento na escala e na densidade das construções,
além do perigo da destruição direta dos conjuntos
históricos, existe o risco de que eles sejam destruídos
indiretamente, através da destruição da ambiência
e da identidade histórica no entorno. A carta recomenda que
que arquitetos e urbanistas se empenhem para que esses conjuntos
"se integrem harmoniosamente na vida contemporânea".
O
maior risco nessa época de universalidade das técnicas
construtivas e formas arquitetônicas é provocar a "uniformização
dos assentamentos humanos no mundo inteiro". Ou seja, a padronização
de técnicas estaria construindo cidades também padronizadas,
monolíticas, medíocres, sem identidade, todas iguais,
feito blocos pré-fabricados, bem ao gosto da cultura de massa.
Daí a importância vital da salvaguarda dos conjuntos
históricos, que podem "contribuir extraordinariamente
para a manutenção e o desenvolvimento dos valores
culturais e sociais peculiares de cada nação e para
o enriquecimento arquitetônico do patrimônio cultural
mundial".
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