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Patrimônio
Mundial
Teste
de autenticidade desafiou pensamento tradicional
Carta de Nara discute papel do patrimônio
cultural no contexto da globalização
André
Azevedo da Fonseca
Juliana
Borin

Detalhe
de edificação histórica localizada na rua
Senador Pena. Casa está ameaçada |
A
Conferência sobre autenticidade em relação
a convenção do patrimônio mundial
Conferência de Nara (Japão, 1994) buscou desafiar
o pensamento tradicional a respeito da conservação
e debater caminhos para promover um maior respeito à diversidade.
Um dos objetivos foi discutir o "teste de autenticidade"
para examinar o valor universal atribuído aos bens culturais
listados pelo Patrimônio Mundial.
De
acordo com a carta, "num mundo que se encontra cada dia mais
submetido às forças da globalização
e da homogeneização, e onde a busca de uma identidade
cultural é, algumas vezes, perseguida através da afirmação
de um nacionalismo agressivo e da supressão da cultura das
minorias", a principal contribuição do patrimônio
cultural é "clarificar e iluminar a memória coletiva
da humanidade".
A
diversidade de culturas é vista como uma insubstituível
fonte de informações a respeito da riqueza espiritual
e intelectual da humanidade. "A proteção e valorização
da diversidade cultural e patrimonial no nosso mundo deveria ser
ativamente promovida como um aspecto essencial ao desenvolvimento
humano".
Um
dos princípios fundamentais da Unesco é considerar
o patrimônio cultural de cada um como patrimônio de
todo o planeta. A carta de Nara afirma que equilibrar a expressividade
da cultura local com a riqueza da cultura global é extremamente
desejável, "desde que, ao alcançar este equilíbrio,
não abra mão de seus próprios valores culturais".
Autenticidade
A
Carta explica que a conservação do patrimônio
cultural de um povo está fundamentada nos valores atribuídos
aos bens que se deseja proteger. "Nossa capacidade de aceitar
esses valores depende, em parte, do grau de confiabilidade conferido
ao trabalho de levantamento de fontes e informações
a respeito destes bens". Isso quer dizer que, enquanto representação
simbólica, o patrimônio cultural depende da atribuição
de sentido conferida pelo grupo humano para adquirir valor. E esses
valores são sólidos quando a pesquisa e o levantamento
histórico são confiáveis.
Daí
a importância que a Carta concede ao "conhecimento e
a compreensão dos levantamentos de dados a respeito da originalidade
dos bens, assim como de suas transformações ao longo
do tempo". Para se certificar da autenticidade do patrimônio
cultural, é necessário, portanto, conhecer o histórico
do bem cultural, assim como as transformações de seu
significado na história.
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