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Mulheres colocam homens "no
chinelo" com sedução
sofisticada, e eles gostam
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Ana Carolina, Sinara Guimarães,
Andrea Mendes e Victor Antunes: Eu não guento
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André
Azevedo da Fonseca
Rosana Arantes,
aluna do curso de Serviço Social da Universidade de Uberaba,
precisava "se virar" para confeccionar um panfleto de
uma atividade relacionada à disciplina. Imaginou que, se
havia alguém na universidade que pudesse ajudá-la,
certamente estaria na área de Comunicação Social.
Chegou no bloco L sem conhecer ninguém e foi orientada a
procurar alguns alunos que sabem trabalhar com produção
gráfica. Assim como quem não quer nada, e naquele
charme "especial" que só as mulheres têm,
em alguns minutos mobilizou um, dois, três, quatro, cinco
marmanjos prestativos que revezavam-se para atendê-la com
todas as atenções do mundo. Houve muito trabalho.
Um diagramou, outro ajustou aqui e ali, outro imprimiu o layout,
outro compactou e um último pelejou até tarde para
descobrir como dividia o arquivo em vários disquetes. Arte
final em uma mão, a outra dando tchauzinho, Rosana se foi,
dizendo: "gente, obrigada por tudo", enquanto os cinco
eunucos, agora sem brilhos nos olhos, provavelmente fantasiavam
loucas promessas que a garota, naturalmente, não fez.
Um
aluno de Biomedicina que preferiu não ser identificado, conta
um caso clássico que, segundo ele, já deve ter ocorrido
com muitos sujeitos. "Fim de festa, a mina chega, dá
mole, pede pra levar em casa, a gente leva, e no final não
rola nada", relata sucintamente. Segundo ele, os homens se
sentem enganados porque a sedução da fêmea "é
uma arma que elas têm e a gente não sabe se defender",
diz. Perguntado se sabe lidar com os encantos femininos, Victor
Antunes, aluno de Odontologia, respondeu: "Eu não guento".
Lizandra
Bontempo, aluna do curso de Comunicação Social, acredita
que pequenas doses de sedução podem ser usadas para
conquistar alguns objetivos, desde que feito sem abusos e não
causem constrangimentos. "É claro que não é
legal uma pessoa passar por cima de todos só porque é
muito bonita", diz. Mesmo assim, Lizandra afirmou que não
costuma "jogar um agá" para, por exemplo, conseguir
o atendimento mais rápido de um funcionário. Uma aluna
do curso de Medicina Veterinária lembrou que, às vezes,
uma necessidade muito grande pode fazer levar a mulher ao uso desses
expedientes para alcançar o que precisa. "Mas isso não
é uma coisa boa", conclui.
Evidentemente,
o jogo da atração física não é
privilégio da alma feminina. A socióloga e professora
da Universidade de Uberaba, Maria de Fátima Ferreira, percebe
que esses artifícios são utilizados por ambos os sexos.
Ela cita Freud, dizendo que o tempo todo estamos, homens e mulheres,
tentando seduzir uns aos outros. Uma aluna do curso de Biomedicina
que preferiu não se identificar, insiste que os homens utilizam-se
descaradamente desse recurso. "Os rapazes fazem isso com a
gente também. Eles pintam e bordam. Muito homem apronta mesmo,
faz até pior", desabafa. Ela confirma que o caso da
carona é clássico, mas não aprova esse comportamento
na mulher. "Porque algumas moças fazem, acabamos todas
com fama de Maria Gasolina ", diz.

Nínive
Lage: "O homem não sabe seduzir. Sabe cantar" |
Mesmo
assim, quase todos os entrevistados concordaram que o domínio
e a sutileza no uso da sedução é mais aguçado
nas mulheres. "O homem não sabe seduzir. Sabe cantar",
resume Nínive Lage, funcionária da Biblioteca Central.
Sinara Guinarães, aluna do curso de Odontologia, também
percebe que a mulher é mais sofisticada. Segundo ela, o instinto
de sedução é poderoso na alma feminina. "Além
disso, o homem gosta de se submeter. Mesmo sabendo quando se trata
apenas de um jogo de interesse, de uma fantasia, ele sempre espera
que vai conseguir tirar proveito e se deixa levar", diz.
A
socióloga Maria de Fátima Ferreira sugeriu uma idéia
que pode ser um começo para se desvendar essa charada. Ela
afirma que os propósitos do jogo da sedução
costumam ser diferentes entre os sexos. "Para o homem, a sedução
tem quase sempre o objetivo de concluir o ato sexual. A mulher muitas
vezes seduz porque quer apenas proteção ou companhia",
afirma. Com o instinto sexual sempre alerta, o homem estaria, portanto,
constantemente à mercê. Lizandra Bontempo, quase sem
querer, reforçou essa hipótese quando respondeu à
uma questão reformulada. Foi perguntado: "Você
usa do encanto feminino para conquistar pequenas vantagens no dia-a-dia?"
A resposta foi: "Não". "Você
aproveita-se dessa fraqueza do homem para conseguir pequenos e inofensivos
favores?" Depois de alguns segundos, sua resposta foi:
"Sim".

Rafael
Ferreira: "O jeito como muitas delas se vestem acaba provocando
os homens" |
Priscila
Dias, aluna do curso de Comunicação Social, percebe
essa reciprocidade dos homens no jogo da atração.
Além disso, lembra que os rapazes tendem à encarar
qualquer gentileza como uma cantada. "Homem sempre acha que,
quando a garota está sendo simpática, já está
a fim de outras coisas. Mas na maioria das vezes não é.
É uma coisa impressionante", afirma. Letícia
Pinheiro, aluna do curso de Medicina Veterinária, compartilha
dessa avaliação. "Às vezes a mulher só
quer ser gentil, mas o sujeito entende mal", diz. Os homens
se defendem. Rafael Ferreira, aluno do curso de Enfermagem, diz
que as mulheres têm responsabilidade nessa confusão.
"O jeito como muitas delas se vestem acaba provocando os homens.
O cara acaba pensando que a menina quer muito mais do que ser apenas
simpática", diz. Um aluno de um dos cursos de Licenciatura,
que preferiu não ser identificado, entusiasmou-se com o tema.
"Aqueles decotes, aquelas calças apertadinhas, aquelas
barriguinhas de fora parecem querer dizer: venha meu macho varonil,
venha fertilizar esse ventre que é só seu", recitou.
"Como acreditar que é só amizade, e não
namoro, sendo constantemente provocado desse jeito? Não dá
pra segurar a cabeça. O instinto de perpetuação
da espécie é muito forte", completa.
Mas
a moça do começo da matéria que mobilizou um
time completo de futebol de salão para confeccionar seu panfleto
também tem a sua versão. Ela não pensa que
o uso da sedução seja legítimo para outros
fins que não o de uma conquista amorosa. "Esse carisma
que você viu faz parte de meu temperamento, independente da
pessoa ser homem ou mulher", diz. Mas Rosana, que tem namorado,
sabe que esse jeitinho especial pode gerar expectativas equivocadas.
"Quando o sujeito se entusiasma, sei impor limites. Pô,
meu! Não é bem assim, você viajou."
Além disso, ela acredita que a sedução, por
si só, não consegue tudo de bandeja. "Entendo
que não é por aí. Não é através
do instinto sexual que se conquista as pessoas, mas sim pela simpatia
pessoal, pelo comportamento bem-educado, pela postura decente, pela
inteligência. É esse o charme da vida", arremata.
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