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Kitsch, um totalitarismo sem violência?
André
Azevedo da Fonseca
reprodução
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O
termo kitsch vem de kitchen, uma palavra comum no
sul da Alemanha, que quer dizer estorvar, atravancar ou fazer móveis
novos com velhos. A expressão verkitschen quer dizer
trapacear, receptar ou vender alguma coisa em lugar do que havia
sido combinado. Em arte o termo passou a simbolizar uma proposta
estética que pretende acima de tudo "agradar o cliente" sob
a perspectiva da aspiração da felicidade material
no modelo burguês.
Em
O kitsch - a arte da felicidade (Perspectiva, 1975), Abraham
Moles realiza um profundo estudo sobre isso que chama de "secreção
artística", fenômeno comum em todas as artes, mas que
predomina na decoração e nos mobiliários da
classe média: "O importante não é que o peso
para papéis reproduza a imagem da catedral de Colônia,
mas que essa imagem seja composta sobre um fundo rosa ornado com
um passarinho", explica.
O
kitsch, propõe Moles, é algo pasteurizado,
asséptico, entre a arte e o conformismo, onde o mau gosto
é uma etapa prévia do bom gosto que se realiza pela
imitação das celebridades na ânsia de promoção
estética que oh lamentável fracasso!
fica pela metade. Essa proposta rejeita todo e qualquer exagero
em qualquer sentido, pois quer estar ao alcance do medíocre.
Moles questiona se o kitsch não é um "totalitarismo
sem violência", pois é doce, insinuante, permanente
e onipresente, ao abrigo de todos os exageros culposos da arte absoluta.
Na arte literária, o kitsch desenvolve-se sobretudo através
do conforto do estereótipo.
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